sexta-feira, 19 de abril de 2013

Torcedor das antigas

Sou do tipo de torcedor que assiste aos jogos no estádio com o rádio ligado. Na noite desta quarta-feira essa atitude era ainda mais necessária, pois todo são-paulino sabia que o futuro do time seria decidido não apenas no Morumbi, mas também no estádio Julio Grondona, na Argentina, onde Arsenal e The Strongest tentavam uma vaga que eliminaria o São Paulo.
A tensão dos torcedores era perceptível já no caminho para o Morumbi. Com o fone no ouvido, escutava todos os comentaristas dizendo que a missão do Tricolor era quase impossível. O discurso não poderia ser diferente, pois até o jogo de ontem, o São Paulo decepcionava na Copa Libertadores.
Cheguei ao local do "milagre" cinco minutos após a chegada da delegação. Queria ter recebido o time ao lado dos outros milhares de torcedores que, acima de tudo, foram São Paulo Futebol Clube.
Entrando no Morumbi percebi que a tensão continuava nas arquibancadas. Porém, o amor pelo clube superava qualquer dificuldade. 
Quando a bola rolou, sabíamos que tudo caminhava para uma desclassificação precoce.
Aos poucos o time foi se acalmando e percebendo que o "bicho" não era tão feio quanto parecia. Já escutava outros comentários no rádio, pois o São Paulo jogava bem. Também pelo rádio recebi a notícia do gol do Arsenal, que naquele momento ajudava o Tricolor. O Morumbi veio abaixo quando o resultado do jogo na Argentina foi anunciado no placar eletrônico.
Veio o segundo tempo e tudo dependia do São Paulo. O pênalti do Leonardo Silva sobre Aloisio arrancou a primeira explosão das mais de 50 mil pessoas que ali estavam. O gol do Rogério me arrancou mais do que um grito que estava preso, me arrancando também as lágrimas, que pouquíssimas vezes deixei escorrer durante um "simples jogo".
Já o segundo gol tirou todo o peso que o verdadeiro são-paulino carregou nas costas durante as últimas semanas. Paulo Henrique Ganso nos fez lembrar Raí, que sempre aparecia nos grandes jogos pelo São Paulo. Osvaldo, por sua vez, teve a humildade do Mineiro. Mesmo jogando em posições diferentes, o passe para o gol de Ademilson me fez lembrar aquele jogador baixinho, que sempre jogou pensando na camisa que vestia.
Talvez não teríamos mesmo tantos motivos para celebrar. O São Paulo tinha a obrigação de classificar num grupo onde apenas o Atlético-MG era capaz de nos incomodar. Porém, o São Paulo voltou a ser São Paulo. Se não vimos os times de 1992 e 1993, ao menos vimos um time que honrou a história e a tradição do Tricolor.
Terminei a minha saga na casa são paulina ouvindo uma frase do grande Mauro Beting, resumindo o sentimento de todo torcedor que esteve no Morumbi na última noite: "O urro no Morumbi foi de arrepiar. Como a celebração ajoelhada de Rogério. Como a comunhão tricolor para vencer o ainda melhor time da competição".

Pedro Cavalcanti

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